terça-feira, 31 de março de 2015

Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)

A síndrome dos ovários policísticos (SOP), também chamada de síndrome dos ovários micropolicísticos (SOMP), é uma doença caracterizada pela presença de múltiplos cistos nos ovários, associados a uma desregulação do ciclo ovulatório e dos hormônios femininos.
O que é ovário policístico?

Um cisto é uma espécie de saco formado por uma fina membrana, contendo líquido ou ar em seu interior. É como aquelas bolhas que surgem na pele após uma queimadura ou no pé após o uso de um sapato desconfortável. O cisto é uma estrutura fechada, não tendo comunicação direta com o tecido no qual ele está inserido.

O ovário policístico, como o próprio nome diz, é um ovário que desenvolve múltiplos cistos. Para entender por que surgem vários cistos no ovário é preciso primeiro conhecer o ciclo ovulatório normal. Entenda a seguir.

Ciclo da Ovulação Normal

O ciclo da ovulação ocorre por uma sequência de eventos desencadeados pelo cérebro, ovários e útero, que ocorrem em média uma vez a cada 28 dias (em algumas mulheres este ciclo é maior, em outras menor). O ciclo ovulatório é controlado basicamente por 4 hormônios, dois deles, FSH e LH, produzidos pela glândula hipófise do cérebro, e outros dois, estrogênio e progesterona, produzidos pelos ovários.



Durante a primeira metade do ciclo, o cérebro produz o hormônio FSH, que estimula o ovário a desenvolver vários folículos (um tipo de cisto). Na presença do FSH, os folículos começam a se desenvolver, crescendo e amadurecendo. Sete dias após o início do ciclo, é possível detectar na ultrassonografia do ovário vários folículos medindo entre 9 e 10 milímetros.

Estes folículos ovarianos começam a produzir estrogênio. Conforme os níveis de estrogênio vão crescendo, um dos folículos se torna dominante, desenvolvendo-se mais rápido que os outros, que param de crescer e começam a involuir. Este folículo dominante é quem vai liberar o óvulo no momento da ovulação.

O pico na produção de estrogênio ocorre um dia antes da ovulação. No momento de concentração máxima do estrogênio, outro hormônio da hipófise é liberado, o LH. Estamos agora exatamente no meio do ciclo, ao redor do 14º dia em casos de ciclos menstruais de 28 dias. 36 horas após a liberação do LH, ocorre o rompimento do folículo dominante e a liberação do óvulo.

Após a ovulação, o ovário produz estrógeno e progesterona, que preparam o útero para a implantação e possível gravidez. Se o óvulo não for fecundado, ele é absorvido e a produção de LH, estrogênio e progesterona é interrompida. Sem estes hormônios o útero descama, surgindo assim a menstruação. Portanto, a menstruação é um sinal que a mulher ovulou mas não foi fecundada.

Ciclo Menstrual na síndrome dos ovários policísticos

Nas mulheres com SOP, os folículos que surgem devido à ação do FSH são incapazes de crescer até um tamanho que provocaria a ovulação, não havendo, portanto, o desenvolvimento de um folículo dominante. 

Sem o folículo dominante, não ocorre ovulação nem estímulo para os folículos restantes involuírem, havendo acúmulo progressivo dos mesmos, o que é responsável pelo aspecto policístico que os ovários adquirem.
 A ausência de ovulação e a presença constante de folículos desregula todo o ciclo de produção de FSH, LH, estrogênio e progesterona. A mulher com ovário policístico pode não ovular por vários ciclos, o que é facilmente perceptível pela natureza irregular das suas menstruações.


 O que causa a síndrome dos ovários policísticos?

Não se sabe bem ao certo o que provoca a SOP. É provável que a mesma seja o resultado da associação de fatores genéticos e fatores ambientais. Cerca de 10% das mulheres possuem a síndrome dos ovários policísticos em algum grau.
  • A influência genética é forte. Mulheres com ovário policístico frequentemente possuem uma mãe ou irmã também com a doença. 
  • Pesquisadores ainda estão à procura dos genes responsáveis pela doença.

Um achado muito comum nas mulheres com síndrome dos ovários policísticos é um aumento dos níveis de testosterona, o principal hormônio masculino. Outra alteração comum é a resistência a insulina. A paciente produz insulina normalmente, mas os seus tecidos são resistentes a sua ação, causando uma alteração nos valores de glicose no sangue.

Sintomas do ovário policístico
Existe uma grande variabilidade dos sintomas da síndrome dos ovários policísticos, sendo a doença mais branda em algumas mulheres e mais exuberante em outras.

As principais características da SOP são:  

  • a menstruação irregular, o que indica a presença de ciclos anovulatórios (ausência de ovulação), infertilidade, obesidade, aumento dos pelos e acne. 
  • Laboratorialmente é comum encontrar níveis elevados de glicose no sangue, em alguns casos (cerca de10%), altos o suficiente para causar diabetes

O excesso de testosterona, chamado de hiperandrogenismo, é responsável por alguns dos sinais e sintomas típicos da síndrome dos ovários policísticos. 

Hirsutismo é o nome dado à presença de pelos na mulheres em locais com características masculinas. Os pelos costumam surgir acima do lábio superior, no queixo, ao redor dos mamilos e abaixo do umbigo. 

A mulheres também podem apresentar uma calvície com padrão masculino. 
O excesso de hormônios masculinos também é o responsável pelo aumento da oleosidade da pele e surgimento da acne (cravos e espinhas).

Infertilidade

A dificuldade para engravidar é muito comum nas mulheres com ovário policístico. A frequente ausência de ovulação é a responsável pela infertilidade. Muitas das pacientes com SOP acabam precisando de tratamento para infertilidade para conseguir engravidar.

A ausência de ovulação e as alterações hormonais da SOP aumentam o risco do desenvolvimento do câncer do endométrio (parede que reveste o útero).

Outro achado comum na síndrome dos ovários policísticos é a síndrome metabólica, conjunto de fatores caracterizada por excesso de peso, resistência à insulina, níveis elevados de colesterol e hipertensão. A mulher pode engordar com a SOP.

A acantose nigricans é uma aumento da pigmentação da pele nas regiões da nuca, dobras cutâneas, articulações ou cotovelos, tonando-as enegrecidas. É uma achado típico nos pacientes obesos e com resistência à insulina. Outras alterações comuns são a apneia do sono e esteatose hepática

Tratamento da síndrome dos ovários policísticos

Não existe cura para a síndrome dos ovários policísticos, porém, há tratamento efetivos que conseguem controlar bem os sintomas da doença.
O tratamento é geralmente direcionado para os sintomas mais exuberantes. Nas mulheres com hiperandrogenismo, o uso de pílulas anticoncepcionais ajuda a diminuir a produção de hormônios masculinos.


Se não houver resposta esperada após 6 meses de pílula, um diurético chamado espironolactona pode ser usado, por ter também atividade antiandrogênica, principalmente na pele, inibindo o hirsutismo.

O uso de anticoncepcionais, além da parte estética, também é importante para regularizar o ciclo menstrual, diminuindo os riscos de câncer do endométrio. A pílula também age contra a acne.

A metformina é uma droga antidiábetica muito usada na SOP, pois ajuda a controlar a resistência à insulina, ajustando os níveis de glicose sanguíneos. A metformina também ajuda a regular o ciclo menstrual.

A prática de exercícios físicos e a perda de peso são importantes, pois atuam melhorando a resistência à insulina, reduzem a produção de hormônios masculinos e protegem contra as doenças cardiovasculares.

Diferenças entre ovário policístico e cisto no ovário

O cisto de ovário e a SOP são doenças completamente distintas.

Na síndrome dos ovários policísticos a paciente apresenta múltiplos cistos de tamanho pequeno, cerca de 5 mm (0,5 cm), espalhados pelos dois ovários. Geralmente estão presentes mais de dez cistos em cada ovário. O cisto de ovário é diferente, é habitualmente uma lesão única e de tamanho maior, em geral, acima de 2 cm.

Att, Nutricionista Giselle Barrinuevo

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