quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Enzimas digestivas essenciais ao organismo

Cerca de 40% da população brasileira possui intolerância a lactose, em algum  nível. Essa intolerância, que afeta diretamente o sistema digestivo, pode se manifestar de diversas formas, tais como: náusea, dores abdominais, diarréia, gases e desconforto.

Enzimas digestivas são catalisadores biológicos liberados no interior dos órgãos do sistema digestório e que promovem reações químicas que reduzem a moléculas menores os compostos orgânicos presentes nos alimentos, permitindo que eles sejam absorvidos e utilizados pelo organismo.




Sistema Digestivo:

É   o   conjunto   de   transformações   físico químicas   que  os   alimentos   sofrem   para   se  converterem em compostos menores hidrossolúveis e absorvíveis. 

A digestão química ocorre devido  à ação das enzimas secretadas em várias partes do aparelho digestivo.  Estas enzimas promovem a  HIDRÓLISE ENZIMÁTICA das macromoléculas ingeridas, na presença da  água,  de  forma  que  estas  são  transformadas  em  unidades  capazes  de  serem  absorvidas  pelas  células  da  mucosa gastrointestinal (nos animais que apresentam tubo digestivo).  As enzimas secretadas pelas diversas partes do aparelho digestivo, sua localização, os substratos em que  atuam e os produtos que formam estão indicados  mais adiante

As enzimas essenciais  ao trato digestivo 

Enzimas

NA BOCA:
deve-se à ação  de enzimas da saliva que é secretada pelas glândulas salivares parótidas, submaxilares, sublinguais e em outras glândulas salivares menores. A principal enzima da saliva é a  amilase  salivar (ptialina). Outras enzimas presente na saliva como a maltase e catalase são de menor importância  porque são produzidas em quantidades menores.

DIGESTÃO NO ESTÔMAGO: no estômago o alimento sofre a ação do suco gástrico que é secretado  pelas glândulas localizadas na parede estomacal. O muco é produzido pelas glândulas pilóricas e cárdicas  do  estômago  e  lubrifica  o  bolo  alimentar,  além  de  proteger  a  parede  do  estômago  contra  a  ação  das enzimas gástricas e do ácido clorídrico HCl. O  HCl  apresenta  as  seguintes  funções:  facilita  a  absorção  de  ferro; proporciona  um  pH  ótimo  para  a  digestão  protéica;  ativa  o  Pepsinogênio  à  Pepsina;  age  contra  os  germes  restringindo  a  fermentação  microbiana (ação germicida). 

As enzimas do suco gástrico são:  pepsina, lípase gástrica, amilase gástrica
  • pepsina é uma enzima proteolítica (digere proteínas em peptídeos), que atua num meio altamente ácido  (pH = 2,0) e acima de pH = 5,0 apresenta pouca atividade proteolítica, tornando-se inativa.
  • lípase  gástrica  (tributirase) age  sobre  a  tributirina  (um  tipo  de  gordura  encontrado  no  leite  e  seus  derivados),  quase  não  tem  atividade  lipolítica  sobre  as  gorduras  comuns. 
  •  A  amilase  gástrica não  desempenha papel importante na digestão do amido. A secreção gástrica é regulada por mecanismos nervosos e hormonais. A regulação hormonal é realizada por meio  de dois  hormônios:  gastrina e  enterogastrona. A gastrina é produzida pela mucosa da região  pilórica do próprio estômago e tem ação estimulante sobre a secreção gástrica. A enterogastrona  é produzida no intestino delgado (duodeno) em presença de gordura e inibe a secreção gástrica.
DIGESTÃO  NO  INTESTINO: As  enzimas  encontradas  no  intestino  delgado  decorrem  do  suco pancreático, secretado por um órgão anexo ao aparelho digestivo, o pâncreas.
Suco pancreático: é secretado pelo pâncreas.  As  enzimas  desse  suco  são:

  • Tripsina, quimotripsina, carboxi  e  amino-peptidase,  amilase pancreática, lípase pancreática, ribonuclease  e desoxirribonuclease.
TRIPSINA: é  sintetizada  nas  células  pancreáticas  na  forma  do  precursor  inativo  (tripsinogênio).  A ativação do  tripsinogênio  é,  realizada  pela  enzima enteroquinase (produzida  pelo  intestino  delgado).  O tripsinogênio  também  pode  ser  ativado  pela  própria  tripsina  (autocatálise).  Esta  enzima  atua sobre proteínas inteiras ou parcialmente digeridas produzindo frações menores (peptídeos).

QUIMOTRIPSINA: é  produzida  pelo  pâncreas  na  forma  de quimotripsinogênio que  é  ativado  pela tripsina,  passando,  então  a quimotripsina.  Esta  enzima  age  sobre  proteínas  inteiras  ou  parcialmete digeridas produzindo frações menores (peptídeos).

CARBOXI  e  AMINO  PEPTIDASE: digerem  peptídeos  a  aminoácidos  pela  região  carboxi  e  amino terminal, respectivamente.

AMILASE    PANCREÁTICA: hidrolisa    os    polissacarídeos    a    dissacarídeos.
OBS: Alguns polissacarídeos, como a celulose e a quitina, não são hidrolisados pelas amilases humanas.

LIPASE PANCREÁTICA: hidrolisa as gorduras neutras, ácidos graxos e glicerol.

NUCLEASES: (ribonuclease e desoxirribonuclease) hidrolisam, respectivamente, o ácido ribonucléico e o desoxirribonucléico a frações menores (nucleotídeos).

                                                                                                                                   


Assim,  diferentes  enzimas  têm  diferentes formas e, portanto, diferentes papéis biológicos. Uma importante função das enzimas tem lugar no sistema digestivo. Enzimas como as amilases e proteases quebram grandes moléculas, como o amido e proteínas, respectivamente, em moléculas de menores dimensões, de maneira a que estas possam ser absorvidas  no  intestino.

  O  amido não  é  absorvível  no  intestino,  mas as  enzimas  hidrolisam  as  cadeias de  amido  em  moléculas  menores, tais  como  a  maltose  e  a  glucose, podendo desta maneira ser absorvidas. 

Diferentes enzimas atuam sobre diferentes tipos de alimentos. Assim, as enzimas digestivas, tais como:
  •  a amilase, protease e lipase, reduzem os alimentos em componentes menores que são mais facilmente absorvidos no trato digestivo.
  •  As enzimas papaína, bromelina e lactase podem melhorar  o  processo  de  digestão, servindo  como  catalisadoras  deste processo. 
  •  A  lactase  é  uma  enzima intestinal responsável pela digestão da  lactose  (açúcar  do  leite),  facilitando  o  processo  de  quebra  da lactose  em  açúcares  mais  simples e  mais  facilmente  absorvíveis.  
  • A bromelina é uma enzima proteolítica encontrada  no  abacaxi.  Além  de facilitar a digestão da proteína, te propriedades anti-inflamatórias, ajudando no processo de recuperação e cicatrização de músculos e tecidos lesionados. 
  • A papaína é uma enzima encontrada no látex do mamão papaia, sendo capaz de hidrolisar diferentes tipos de proteínas de origem vegetal ou animal, diminuindo o tempo e facilitando a digestão.

Nos últimos anos, nos Estados Unidos, houve um aumento no consumo de combinações de enzimas  de origem vegetal, fúngica e/ou animal -,  decorrente  de  uma  procura  crescente pelos consumidores, os quais estão cada  vez  mais  conscientes  das opções e dos benefícios oferecidos
pelos  produtos  funcionais.  Como já  mencionado  acima,  no  sistema digestivo,  as  enzimas  digerem  as proteínas,  gorduras  e  carboidratos em seus componentes mais simples (gorduras  essenciais,  açúcares  e aminoácidos).

 As enzimas também ajudam na extração de vitaminas e minerais.  A  deficiência  de  produção de enzimas digestivas conduz, frequentemente desconforto gástrico.  Com  relação  à saúde  do  trato  digestivo,  as  enzimas  proporcionam  uma  digestão mais eficiente, evitando assim: a indigestão, azia, refluxo ácido, gases, inchaço e fadiga depois de comer. 

As enzimas absorvidas na forma de suplemento podem ser de fontes animais  ou  vegetais,  porém  as
enzimas à base de plantas provêm maior suporte para uma aproximação puramente digestiva. Contudo, se o pâncreas está inflamado, lento ou  doente,  devem  ser  combinadas enzimas  animais  com  enzimas  vegetais,  como  parte  de  uma  dieta regular. As enzimas de fonte animal fortalecerão  o  pâncreas,  enquanto as  enzimas  à  base  de  plantas, literalmente,  quebrarão  o  alimento consumido.

A  potência  ou  eficiência  real  das enzimas  é  um  ponto  fundamental. Todas  as  enzimas  produzidas  laboratorialmente  têm  seu  potencial medido  através  de  ensaios  para determinar o seu potencial digestivo, em determinado pH e temperatura, com relação a um substrato específico. Ao contrário da maioria dos suplementos dietéticos, estas enzimas não  são  medidas  através  de  peso em miligramas, e sim em termos de “unidades  ativas”;  torna-se  difícil, para  os  fabricantes  transmitir  esse fator de potência de forma compreensível para os consumidores.

Tradicionalmente, os produtos à base  de  enzimas  comercializados para  a  saúde  digestiva  eram  formulados  para  manutenção  geral ou  para  distúrbios  específicos, como intolerância à lactose. Hoje, o  mercado  está  definitivamente mais  consciente  e  informado  e  já existem  produtos  dirigidos  a  regimes dietéticos específicos, como as dietas de alta proteína ou nutrição esportiva.


2 comentários:

  1. A pectina é uma enzima? Neste seu blogue, eu não vi menção dela. Explique-me, se possível, a função dessa substância, se enzima ou fibra. (Meu e-mail: lsdsma@gmail.com).

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  2. Olá Luís, não é enzima é uma fibra presente nas paredes celulares das plantas ela é muito utilizada na indústria alimentícia. Obrigada

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