segunda-feira, 20 de junho de 2016

Glaucoma: sintomas sutis, riscos reais

​O glaucoma é uma doença ocular que afeta o nervo óptico, a estrutura dos olhos que leva as informações do que enxergamos para a área do cérebro que vai interpretar a visão.



​Pela forma como age, pode ser definido como um ‘ladrão furtivo’: vai roubando a visão da pessoa sem que ela perceba. Quando os sintomas aparecem, o glaucoma já produziu danos significativos, com perdas de visão irreversíveis. 
*Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o glaucoma está entre as principais causas de cegueira. No Brasil, estima-se que um milhão de pessoas tenha a doença.

A pressão intraocular normal varia entre 8 e 21 mmHg. Quando esta se torna maior que 21 mmHg, começa a haver risco de lesão do nervo óptico. O problema do glaucoma é o fato deste ser uma doença silenciosa já que o simples aumento da pressão intraocular não é capaz de causar nenhum sintoma. Dor nos olhos só costuma ocorrer quando a pressão já está altíssima, normalmente acima dos 40 mmHg.

Na grande maioria dos casos, o glaucoma está relacionado com o aumento da pressão intraocular, embora haja portadores da doença que têm essa pressão normal. Segundo a Dra. Erika Sayuri Yasaki, oftalmologista do Einstein, há dezenas de tipos de glaucoma, mas em linhas gerais eles podem ser classificados em primário e secundário. 
  • O primário é mais comum acima dos 40 anos e normalmente é hereditário. 
  • O secundário pode ser resultado de outra doença ocular, alteração vascular ou processo inflamatório, entre outros”, explica a médica.

Não há cura para o glaucoma. Mas identificar o problema logo no começo faz toda a diferença. Nessa etapa, o tratamento é geralmente feito com colírios que atuam baixando a pressão ocular, permitindo interromper ou desacelerar o processo de dano do nervo óptico e perda de visão. Mas como na fase inicial o glaucoma não apresenta sintomas, o diagnóstico precoce depende, sobretudo, de check-ups anuais com o oftalmologista, particularmente para quem tem mais de 40 anos, antecedentes na família ou outras doenças oculares. “Quanto mais cedo for identificada a patologia, menor o risco de sequelas”, enfatiza a Dra. Erika.

“O problema para o indivíduo é que os sinais só aparecem quando a doença já avançou. Então a pessoa começa a enxergar menos ou a perceber os danos no campo de visão. Isso acontece porque o glaucoma afeta a quantidade de visão e o campo visual. Com o avanço da doença, porém, o campo visual vai ficando cada vez mais limitado."

 Fatores de risco para o glaucoma
  •     Pressão intraocular elevada – A imensa maioria dos casos de glaucoma estão associados a hipertensão ocular, porém, por motivos ainda não bem esclarecidos, existem casos de lesão do nervo óptico mesmo com a pressão intraocular normal.
  •     Raça negra – Não se sabe o porquê, mas negros têm de 6 a 8x mais chances de desenvolver glaucoma que brancos. Além disso, o glaucoma em negros também costuma ser mais grave.
  •     Idade – Todo mundo com mais de 60 anos apresenta maior risco de desenvolver glaucoma. Negros devem começar a ter sua pressão ocular avaliada a partir dos 30 anos.
  •     História familiar de glaucoma – Pessoas com parente de primeiro grau com glaucoma apresentam até 6x mais chances de também desenvolverem a doença.
  •     Diabetes – Pacientes diabéticos parecem ter maior risco de desenvolverem glaucoma
  •     Uso crônico de corticóides

Sintomas do glaucoma


A cegueira causada pelo glaucoma costuma ocorrer de modo lento e de fora para dentro, ou seja, acomete primeiro o campo de visão periférico e progressivamente vai se tornando mais central, como na ilustração abaixo. Às vezes, o processo de perda de visão é tão gradual que o paciente só nota estar ficando cego em fases avançadas do glaucoma.

                                           Evolução da perda de visão do glaucoma

Os principais sintomas do glaucoma de ângulo fechado agudo são:


– Forte dor nos olhos
– Náuseas e vômitos
– Visão borrada
– Olhos vermelhos
– Diminuição da visão, principalmente se há baixa luminosidade.

Glaucoma de ângulo fechado ocorre quando há uma obstrução física à malha trabecular e, consequentemente, à drenagem deste líquido. O glaucoma de ângulo fechado também pode ocorrer de modo crônico, quando a obstrução da malha trabecular ocorre de modo progressivo. Neste caso a evolução é mais lenta, parecida com o glaucoma de ângulo aberto.
  
Glaucoma de ângulo aberto a malha trabecular está livre de obstruções, porém, sua capacidade de drenagem está reduzida. No glaucoma de ângulo aberto, o quadro é insidioso, progredindo lentamente sem causar sintomas até fases avançadas da doença, quando o paciente nota estar perdendo a visão.



Diagnóstico

De forma geral, o diagnóstico é feito durante a consulta oftalmológica, com exames e uso de equipamentos para medir a visão e a pressão intraocular, avaliar as características do nervo óptico e defeitos no campo visual. “A grande maioria dos casos é diagnosticada com a realização desses exames, mas há alguns quadros em que apenas o acompanhamento definirá se o paciente tem ou não glaucoma”, diz a especialista.


Um aliado tecnológico mais recente é a tomografia de coerência óptica (OCT), que permite medir a camada de fibras nervosas (cuja perda se acelera no glaucoma) e as células ganglionares. Trata-se de um recurso que pode ser importante nos casos de acompanhamento da doença.

O tratamento mais frequente são:
  •  os colírios hipotensores, que têm sido bastante aprimorados e atuam de maneira eficiente para baixar a pressão intraocular. 
  • Mas alguns casos exigem abordagem cirúrgica. Feitos com microscópio e microinstrumentos, esses procedimentos são chamados cirurgias filtrantes. É que, no glaucoma, ou o líquido natural dos olhos (humor aquoso) está sendo produzido em excesso ou a via de drenagem está deficiente. O objetivo da cirurgia é criar uma fístula, um caminho para o líquido escoar. No glaucoma de ângulo fechado é feito tratamento a laser.

*De acordo com a Dra. Erika, em termos de tratamento não cirúrgico há caminhos novos sendo trilhados, como a busca de drogas neuroprotetoras, já que estudos recentes sugerem que o glaucoma pode ser uma doença neurológica ou neurodegenerativa.

Ela provoca a morte de células ganglionares, que coletam informações visuais de outras células da retina, passam essas informações para suas extensões, os axônios, e destes ao nervo óptico e à área do cérebro que interpreta a visão. Esta, por sua vez, apresenta alterações em pacientes com glaucoma. “Drogas neuroprotetoras poderiam evitar a morte dessas células e promover um processo de regeneração”, diz a oftalmologista do Einstein.

É nessa linha também que se desenvolvem estudos com o uso de células-tronco. No entanto, são pesquisas ainda incipientes, em fase experimental em animais.

De qualquer forma, todas essas são perspectivas positivas para o futuro. Mas, mesmo que se tornem realidade, ainda assim sempre é mais interessante a prevenção com consultas ao oftalmologista que poderá descobrir se o ‘ladrão’ glaucoma já está, furtivamente, começando a roubar a visão do paciente.

Att, Nutricionista Giselle Barrinuevo
Fonte: Hospital Albert Einstein

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