sexta-feira, 4 de maio de 2018

Obstrução intestinal em bebês

Crianças e recém-nascidos podem apresentar obstrução intestinal. Porém, devido à dificuldade em se estabelecer os sintomas, o diagnóstico pode demorar para ocorrer. Em geral, o quadro não apresenta motivos aparentes, sendo que apenas 5% dos casos estão relacionados a tumores, infecções intestinais, gânglios aumentados ou supressão da parede intestinal.



Após o parto, espera-se que a primeira evacuação do bebê ocorra em até 24 horas, expelindo o mecônio (substância pastosa e esverdeada encontrada no intestino do recém-nascido). Decorrido esse tempo, suspeita-se de obstrução intestinal, que é confirmada quando se atinge 48 horas sem evacuação.



A obstrução intestinal é um impedimento significativo ou bloqueio completo da passagem do conteúdo intestinal através do intestino. Os sintomas incluem dor em cólica, vômitos, obstipação e interrupção da eliminação de gases.O tratamento consiste em hidratação, aspiração nasogástrica e, em muitos casos de obstrução completa, cirurgia.

A obstrução mecânica se divide em obstrução do intestino delgado (incluindo o duodeno) e obstrução do intestino grosso. A obstrução pode ser parcial ou completa. Cerca de 85% das obstruções parciais do intestino delgado resolvem-se com tratamento não cirúrgico, ao passo que 85% das obstruções totais requerem cirurgia.


As causas mais recorrentes de oclusão intestinal em bebês são:

    Atresias intestinais (estreitamento do intestino);
    Vícios de rotação (má formação do intestino);
    Íleo meconial (obstrução pelo mecônio);
    Doença de Hirschsprung;
    Síndrome da rolha meconial;
    Anomalias anorretais.

A criança normalmente apresenta quadros de vômitos, cólicas, distensão abdominal e dores. A irritação tende a aparecer como um sintoma e, em recém-nascidos, o choro constante pode ser uma denúncia da síndrome.


O procedimento para diagnosticar a obstrução segue o padrão médico adulto: são realizados exames de ecografia e raio-X.

Tipos

A obstrução intestinal pode ser classificada em 3 categorias, de acordo com o grau, gravidade e mecanismo.
 
Obstrução intestinal por grau

Classificada em completa, em que não há nenhuma passagem de substâncias, sejam líquidas ou pastosas, agravando o risco à saúde, e a parcial, em que há dificuldade de determinados compostos serem encaminhados ao final do tubo intestinal, bloqueando parte do fluxo digestivo.
 
Obstrução intestinal por gravidade
A síndrome pode ser simples, em que há somente o impedimento ou dificuldade do trânsito intestinal, ou complicada, em que há o estrangulamento intestinal.
 
Obstrução intestinal estrangulada

Também chamado de estrangulamento em alça fechada, o tipo complicado compromete a irrigação sanguínea e agrava os sintomas, aumentando a possibilidade de morte tecidual.

Nesse caso, há um impedimento circulatório causado por hérnias, torções ou invaginações no tubo, configurando um nó nas dobras do intestino. Por isso, a circulação e irrigação sanguínea ficam comprometidas, podendo acarretar em necrose e morte tecidual.
 
Obstrução intestinal por mecanismo
Os tipos de mecanismos se dividem em funcional, em que a obstrução é causada por anormalidade do intestino, e mecânica, na qual há um agente causando a obstrução.
 
Obstrução funcional ou íleo paralítico

Este tipo é definido pela incapacidade do intestino de realizar os movimentos peristálticos, em que não há a devida contração das fibras musculares intestinais que encaminham os excrementos ao longo do intestino.

Os principais fatores da obstrução são o uso de medicamentos que interferem no processo intestinal, distúrbios metabólicos, bactérias ou vírus que afetam o intestino, distúrbios na hidratação, intoxicação alimentar ou por materiais como o chumbo, chamado de saturnismo.

Também conhecida como íleo paralítico, a síndrome funcional tem ocorrência em pós-operatórios relacionados ao intestino.
 
Obstrução mecânica

É causada pela presença de algum elemento impedindo o correto funcionamento digestivo, em geral, inflamações, tumores, anomalias da parede muscular ou elementos que possam causar compressão ou achatamento do tubo intestinal.

A região em que ocorre a obstrução mecânica ainda pode ter causas distintas. No caso do intestino delgado (obstrução alta), as principais ocorrências são:

    Hérnias;
    Aderências (pós-cirúrgicas);
    Tumores do intestino delgado;
    Doenças inflamatórias;
    Torções do intestino;
    Cálculos biliares (pressionando ou bloqueando o fluxo intestinal);
    Invaginação ou deslocamento de parte do tubo intestinal.

Já a obstrução no intestino grosso ou cólon (obstrução baixa) é menos recorrente. Os principais fatores que podem ocasionar a oclusão são:

    Câncer de cólon e de reto;
    Diverticulite; torção do cólon;
    Densidade e ressecamento das fezes;
    Estenose (inflamações e cicatrizes intestinais que causam o estreitamento do cólon).

Causas
Uma grande parte das obstruções é causada por fatores congênitos, ou seja, que se formaram ainda na gestação. São eles o ritmo reduzido do trânsito intestinal, problemas metabólicos e disfunções intestinais.

No entanto, as obstruções mecânicas podem ser causadas por má cicatrização após cirurgias ou inflamações, resultando num tecido duro que bloqueia ou comprime o intestino, ou ainda por doenças.

Os principais fatores que incidem na obstrução funcional ou mecânica são:
 
Aderências

Representam um tecido fibroso que se desenvolve no intestino, ligando os tubos intestinais entre si ou a órgãos próximos. As elevações formadas também podem empurrar o intestino para fora do lugar, possibilitando que haja uma torção ou dobra.

Tratamento
  •     Aspiração nasogástrica
  •     Fluidos IV
  •     Antibióticos IV em caso de suspeita de isquemia intestinal

Os pacientes com possível obstrução intestinal devem ser hospitalizados. O tratamento da obstrução intestinal aguda deve ser feito juntamente com o diagnóstico. Um cirurgião deve sempre ser envolvido.

Cuidados de suporte são similares nas obstruções de intestino delgado ou grosso: aspiração nasogástrica, fluidos intravenosos (soro fisiológico a 0,9% ou Ringer lactato para reposição de volume) e sonda vesical de demora para monitorar a perda de líquido. A reposição de eletrólitos deve ser guiada pelos resultados dos exames laboratoriais. Entretanto, nos casos de vômitos de repetição, os níveis séricos de Na e K estão provavelmente diminuídos. No caso de suspeita de isquemia ou infarto intestinal, devem ser administrados antibióticos


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