quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Omeprazol

O omeprazol é o mais famoso representante do grupo de medicamentos chamado de inibidores da bomba de prótons (IBP), que são uma classe de fármacos utilizados para o tratamento das doenças do estômago relacionadas ao excesso de acidez, como, por exemplo, a gastrite e a úlcera péptica.



O omeprazol é um medicamento muito eficaz, mas que atualmente tem sido prescrito de forma indiscriminada, seja por mais tempo do que o necessário ou para sintomas que não precisam ser tratados com inibidores da bomba de prótons.



Como age o omeprazol

O processo de digestão dos alimentos tem o seu primeiro passo no estômago, que é um órgão oco como uma bolsa e extremamente ácido.  O pH do estômago chega a ficar abaixo de 2 graças à sua capacidade de secretar ácido clorídrico (HCl). Essa secreção de ácido é realizada pelas células parietais, um grupo de mais de 1 bilhão de células que estão presentes no fundo e no corpo do estômago.

 As células parietais secretam ácido através de uma estrutura chamada bomba de prótons, que é o alvo da ação do omeprazol. O omeprazol liga-se às bombas de prótons, provocando a sua inativação. Essa inativação das células parietais do estômago pelo omeprazol é capaz de reduzir a produção de ácido em até 95%, motivo pelo qual esse fármaco tem sido o medicamento de eleição para o tratamento das doenças gástricas relacionadas com a acidez.

Para que serve o omeprazol

Como já referido, o omeprazol está indicado para o tratamento das doenças do estômago, duodeno ou esôfago que estejam relacionadas com a acidez gástrica.

De forma mais específica, o omeprazol pode ser utilizado nos pacientes com os seguintes problemas:

    Gastrite
    Úlcera péptica (estômago ou duodeno)
    Refluxo gastroesofágico
    Tratamento auxiliar na erradicação do H.pylori
    Dispepsia funcional
    Esofagite.
    Síndrome de Zollinger-Ellison.
    Hemorragia digestiva alta.
    Prevenção da úlcera péptica nos pacientes que fazem uso crônico de anti-inflamatórios
    Prevenção da úlcera péptica nos pacientes internados e sob estresse, tais como nos quadros de sepse, doenças da coagulação ou durante os pós-operatórios.

O omeprazol ajuda a proteger a parede do estômago ou do duodeno, já que a inibição da acidez facilita o processo de cicatrização de úlceras, erosões ou inflamações.

Situações nas quais o omeprazol não está indicado

Por ser um fármaco extremamente efetivo para proteger e tratar o estômago da acidez, o omeprazol (e também os outros IBP) acaba sendo frequentemente prescrito de forma indiscriminada. Há casos em que o omeprazol é prescrito para tratar sintomas ou problemas cuja origem não é um excesso de acidez gástrica, e há casos no qual o omeprazol é corretamente prescrito, mas o seu uso acaba sendo prolongado por muito mais tempo do que o indicado. Há pacientes que permanecem tomando o omeprazol por anos, quando, na verdade, o seu tratamento só deveria durar algumas semanas.

Indicações incorretas do omeprazol




1- Omeprazol como protetor gástrico para pacientes que tomam múltiplos medicamentos

Talvez a indicação mais incorreta para o uso do omeprazol seja o seu uso como protetor do estômago para pacientes que tomam várias medicações. O fato do paciente tomar 5,6 ou 7 medicamentos diferentes não significa que ele tenha um maior risco de ter gastrite, úlceras ou qualquer outra doença relacionada à acidez.

É verdade que muitos pacientes polimedicados queixam-se de mal estar. Muitas vezes, porém, a culpa não é das medicações. E mesmo quando o mal estar está relacionado a algum efeito colateral de remédios, o omeprazol não serve para evitá-lo. O omeprazol é um inibidor da acidez estomacal, ele não é um antídoto para os efeitos colaterais de outros medicamentos.

O uso do omeprazol só faz sentido se um dos efeitos colaterais dos outros medicamentos for a gastrite ou a úlcera péptica, como é o caso, por exemplo, dos anti-inflamatórios.

2- Omeprazol para aliviar dores agudas do estômago

Os primeiros efeitos do omeprazol começam com cerca de 1 hora, mas a sua ação plena de inibição das células parietais e o aumento do pH estomacal só atingem o seu ponto máximo após 4 dias. Isso significa que aquela dor de estômago ou sensação de azia isolada e de curta duração que você tem esporadicamente não é afetada pelo uso do omeprazol. Analgésicos comuns, antiácidos e a ranitidina são fármacos muito mais eficazes que o omeprazol para o tratamento de problemas agudos e de curta duração do estômago ou do esôfago.

O omeprazol funciona se os sintomas de queimação ou azia forem persistentes ou muito frequentes, como, por exemplo, 3 ou mais episódios por semana. Nestes casos, o uso do omeprazol por vários dias está indicado.

3- Omeprazol para problemas da vesícula

Se você tem sintomas gastrointestinais relacionados com problemas da vesícula, o omeprazol não é um medicamento que vá ajudar. Mais uma vez, o uso do omeprazol só está indicado em doenças gastroesofagianas relacionadas com a acidez gástrica.


Como tomar o omeprazol

O omeprazol deve ser tomado, de preferência, em jejum, pois é neste momento que as células parietais apresentam o maior número de bombas de prótons em repouso, aptas para serem inibidas.

A dose e o tempo de tratamento variam de acordo com a doença a qual se pretende tratar. Exemplos:

• Úlcera duodenal: 1 comprimido de 20 mg por dia por 4 semanas. Se necessário, o tratamento pode ser estendido até 8 semanas.

• Úlcera gástrica: 1 comprimido de 20 mg por dia por 4 a 8 semanas. Úlceras maiores que 1 cm costumam ser tratadas com 40 mg por dia por 8 semanas.

• Refluxo gastroesofágico: 1 comprimido de 20 mg por dia por 4 semanas.

• Esofagite erosiva: 1 comprimido de 20 mg por dia por 4 a 8 semanas. Se necessário, o tratamento pode ser estendido até 12 semanas.

• Síndrome de Zollinger-Ellison: dose inicial de 60 mg por dia, podendo ser ajustada até 120 mg 3 vezes por dia. O tratamento deve ser mantido enquanto necessário.

• Tratamento da úlcera duodenal ou gástrica induzida por anti-inflamatórios: 1 comprimido de 20 mg por dia por 4 a 8 semanas.

• Tratamento da úlcera duodenal ou gástrica induzida por anti-inflamatórios: 1 comprimido de 20 mg por dia por até 6 meses.

• Tratamento da azia persistente ou recorrente (off label): 1 comprimido de 20 mg por dia por 14 dias.

Se o paciente não conseguir engolir as cápsulas, as mesmas podem ser abertas e o pó no seu interior misturado a um copo de água. O medicamento deve ser tomado imediatamente. Esse medicamento não deve ser mastigado nem triturado.
Efeitos colaterais do omeprazol

O omeprazol é um fármaco bastante seguro, com baixíssima taxa de efeitos colaterais graves.

Entre os efeitos adversos mais comuns destacam-se a dor de cabeça (7%), dor abdominal (5%), diarreia (4%), enjoos (4%), flatulência (3%), vômitos (3%), tontura (2%), reações alérgicas da pele (2%), prisão de ventre (2%), dor lombar (1%), tosse (1%), pneumonia (1%).

Entre os efeitos adversos mais graves (e também mais raros – menos de 0,1% dos pacientes), podemos destacar:

    Nefrite intersticial.
    Insuficiência renal crônica
    Osteoporose
    Diarreia pela bactéria Clostridium difficile
    Gastrite atrófica.
    Hipomagnesemia (baixa de magnésio no sangue).
    Toxicidade hepática.

Apesar de raros, os efeitos colaterais listados acima têm sido registados, pois o omeprazol é um medicamento atualmente utilizado por milhões de pessoas. O uso prolongado, isto é, por anos a fio, aumenta o risco da ocorrência de efeitos colaterais mais raros.

Contraindicações do omeprazol


A única contraindicação relevante ao omeprazol é uma história de alergia prévia a algum fármaco da classe dos inibidores da bomba de prótons.

Por falta de estudos clínicos que demonstrem a sua segurança, o omeprazol não deve ser utilizado nas grávidas ou durante a amamentação, a não ser em casos selecionados.

Interação medicamentosa do omeprazol

O omeprazol pode reduzir a ação dos seguintes fármacos:
– Clopidogrel, anti-fúngicos (ex: fluconazol, cetoconazol e itraconazol), micofenolato mofetil, mesalazina, indinavir, atazanavir, nelfinavir, bifosfonatos, fenitoína e rifamicina.

O omeprazol pode potencializar a ação dos seguintes fármacos:
– Metotrexato, anfetaminas, benzodiazepinas (ex: diazepam), carvedilol, citalopram, escitalopram, ciclosporina, tacrolimos, dabigratan e varfarina.

A lista acima não está completa. Comunique o seu médico se você estiver tomando algum medicamento.

Obs: o omeprazol não interfere com o efeito da pílula anticoncepcional.

Fonte: MD Saúde

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