terça-feira, 8 de março de 2016

Nem tudo é SUCO nas bebidas de frutas industrializadas

O Brasil é conhecido internacionalmente como grande produtor de frutas por apresentar condições de clima e  solo favoráveis. No entanto, o consumo de bebidas à base  de frutas ainda é baixo no País, apesar de estar crescendo  significativamente nesta década.



O mercado brasileiro de sucos e néctar prontos  para beber está em franca expansão, acompanhando  a  tendência  mundial  de  consumo  de  bebidas  saudáveis, convenientes e saborosas. Segundo a Associação  Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas  Não  Alcoólicas  (Abir),  em  2008  somente  o  setor  de  sucos e néctares de frutas prontas para beber faturou  US$  1,9  bilhão  com  a  venda  de  476  milhões  de  litros. Isso representa aumento de 11% tanto da receita  quanto do volume de 2007 para 2008.


Essa  definição  vem  do  Decreto  6.871  de  6  de  junho  de 2009, que regulamenta a lei nº 8.918, de 14 de julho de  1994. O Decreto prevê que bebidas de frutas só podem ser  rotuladas  como  sucos  caso  a  embalagem  contenha  100%  de sucos de frutas, salvo as exceções de frutas muito viscosas que necessitam de alguma diluição, como a manga e a goiaba.

Levando em conta esta regulamentação, as categorias  mais comuns hoje no mercado são os néctares e as bebidas à  base de soja. Nenhuma delas, pela legislação, pode ser denominada suco de frutas, sendo que o rótulo deve informar ao  consumidor o exato tipo de bebida que está sendo ofertado. 

Ainda são poucos os consumidores que têm consciência sobre a diferença entre suco e as demais bebidas de frutas, mas  é possível que o esclarecimento sobre os principais grupos  de  bebidas  de  frutas  disponíveis  no  mercado  (sucos,  néctares, refrescos e refrigerantes)  venham a agregar valor aos  sucos  integrais  e  reconstituídos,  principalmente  quanto  ao  aspecto nutricional.  
*O mercado de sucos integrais  e reconstituídos ainda é muito pequeno quando  comparado ao de néctares e bebidas de soja.



Pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) com 12  bebidas à base de fruta identificou excesso de açúcar e adição de conservantes e corantes.
*Apenas o consumo de frutas  in natura pode proporcionar o aproveitamento total dos  nutrientes

Os sabores mais comercializados no Brasil são:
  •  uva, pêssego e laranja, segundo a Abir.

Sucos x Nectares x Refrigerantes


  • Sucos
Bebida não-fermentada, não-concentrada (com exceção dos casos a seguir especificados)
e não diluída em água, destinada ao consumo. É obtido da fruta madura e sadia, ou parte do vegetal
de origem, por processamento tecnológico adequado, submetida a tratamento que assegure a sua
apresentação e conservação até o momento do consumo. Para mais de uma fruta processada, a
nomenclatura correta é sucos compostos ou blends.


Adição de açúcar e componentes químicos: é permitida a adição de açúcar, desde que
mencionado no rótulo “adoçado”. É proibida a adição de aromas e corantes artificiais.
Classificação dos sucos:
 
-Tropical:  os sucos tropicais têm uma legislação específica e são bebidas obtidas pela dissolução em água potável da polpa de fruta de origem tropical. Os sucos de açaí, cupuaçu e manga são exemplos de  sucos tropicais obtidos através da polpa da fruta. No entanto, sucos de caju, maracujá e abacaxi deverão  ser obtidos sem dissolução em água. Os teores de polpas de frutas utilizados na elaboração do suco  tropical deverão ser superiores aos estabelecidos para o néctar das respectivas frutas.

-Integral: O único suco industrializado 100% suco de fruta é o que contém no rótulo a denominação "Suco Integral". Esse se encontra na concentração original de suco extraído da fruta, sem adição de água e  açúcar.

-Desidratado: O desidratado é o suco no estado sólido, obtido pela desidratação do suco integral e, no geral, mantidos os teores de sólidos solúveis originais do suco integral. A bebida em pó só pode ser  considerada suco se não contiver aromatizantes químicos.

-Reconstituído: é o suco obtido pela hidratação do suco concentrado ou desidratado e deve manter os teores de sólidos solúveis originais do suco integral ou o teor de sólidos solúveis mínimo estabelecido nos respectivos padrões de identidade e qualidade para cada tipo de suco.
  • Néctar
Bebida não-fermentada, obtida da diluição em água potável da parte comestível do vegetal
ou de seu extrato. A diferença básica é que o néctar não tem a obrigatoriedade de conservar todas as
características originais de um suco natural de fruta.

 Adição de açúcar, corantes e aromatizantes:   É permitido somente açúcar.
% mínimo de suco: a porcentagem de polpa de fruta presente no néctar é fixada pelo Regulamento
Técnico aprovado pela Instrução Normativa n° 12 de 2003, que estabelece Padrões de Identidade e
Qualidade (PIQ). 

Quando a fruta não tem especificação mínima de polpa na normativa, considera-se  que o néctar de determinada fruta deve conter no mínimo 30% da respectiva polpa, ressalvado o caso  de fruta com acidez ou conteúdo de polpa muito elevado ou sabor muito forte e, neste caso, o conteúdo
de polpa não deve ser inferior a 20%.

  • Refrescos e refrigerantes

Refresco ou bebida de fruta ou de vegetal é a bebida não-fermentada, obtida pela diluição,
em água potável, do suco de fruta, polpa ou extrato vegetal de sua origem, com ou sem adição de
açúcares. Os refrescos são diferentes dos refrigerantes com frutas e contém uma quantidade de suco
maior, porém inferior aos néctares. Além disso, o refrigerante é a bebida gaseificada.

Adição de açúcar, corantes e aromatizantes:  é permitido. 

% mínimo de suco em refrescos: os refrescos de frutas, no geral, apresentam uma quantidade
entre 10% e 20% de suco da fruta. O refresco com menor conteúdo de suco é o refresco de limão ou
limonada, com no mínimo 5% em volume de suco de limão.  

% mínimo de suco em refrigerantes: o conteúdo varia de 2% a 10% de suco de fruta. A soda
limonada ou refrigerante de limão deverá conter, obrigatoriamente, no mínimo 2,5% em volume de
suco de limão.

                                                                                       

Quanto menor a quantidade de polpa de fruta  presente na bebida, menor o seu valor nutricional

Os  sucos,  do  ponto  de  vista  nutricional,  são  mais  ricos  que  os  néctares,  que  possuem  quantidades  menores  da  fruta  em  sua  composição.  Em  último  lugar,  encontram-se  os  refrescos  e  os  refrigerantes  com sucos de frutas. 


 *Para produzir uma bebida de boa qualidade,  é  preciso  que  a  matéria-prima  utilizada  também
seja de alta qualidade. Não importa quão bom seja  o  processo,  se  ele  iniciar  com  uma  fruta  de  qualidade  ruim,  o  suco  ou  néctar  produzido  será  de baixa  qualidade.  A  qualidade  das  frutas  depende principalmente  do  seu  estágio  de  maturação,  que inclui  concentração  de  açúcar (brix),  acidez,  teor de amido, cor, sabor e firmeza.


A vida útil das bebidas de frutas é influenciada  por diversos fatores, entre eles o desenvolvimento
de micro-organismos deteriorantes, reações enzimáticas e outras reações químicas que comprometem
a qualidade organoléptica (sensoriais) do produto, além de diminuir a qualidade nutricional

O  consumo  de  bebidas  de  frutas  prontas  para  beber  está muito longe do consumo de refrigerantes, por exemplo,  mas isso pode ser justamente indicação do potencial de crescimento.  De  2007  para  2008,  por  exemplo,  as  vendas  de  suco de frutas expandiram o dobro do mercado de refrigerantes, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (Abir). 

Apesar  do  crescimento  do  mercado  de  bebidas não-alcoólicas,  esse  aumento  ocorreu  primeiramente  por um forte crescimento das águas, refrigerantes, néctares e bebidas à base de soja. Veja abaixo na tabela os teores de fruta em cada tipode suco.
 

O consumo de néctares,  em especial, vem crescendo a taxas significativamente  maiores  que  as  de  suco.  Isso  se  deve  ao  fato  de  que  muitos consumidores não sabem diferenciar néctar do  suco no momento da escolha, ou seja, não sabem que  estão adquirindo um produto com menos fruta e maiores quantidades de água e açúcar que o suco propriamente.   

Além  disso,  o  preço  dos  sucos  é  superior  ao  do néctar. Por esses fatores, a demanda por fruta não  cresce tanto quanto ocorreria se o destaque no mercado de bebidas fosse o suco em vez do néctar.

*Lembrando, a fruta in natura não substitui o suco, ela estimula a mastigação e não tem perdas nutricionais, sendo a melhor opção para lanches intermediários. Deve dar preferência para as frutas da estação que são mais saborosas e saudáveis.  Consumo dia 3-4 porções de diferentes frutas.

Att, Nutricionista Giselle Barrinuevo

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